PIÓDÃO – A aldeia histórica de Xisto no centro de Portugal

É um presépio de xisto! Sem dúvida a alcunha de “Aldeia Presépio” é bem empregada. Iluminada à noite, olho e penso que a qualquer momento os 3 Reis magos surgirão na estrada serpenteada, reclamando do trajeto duro pela Serra do Açor. As casinhas e ruelas da Aldeia do Piódão hipnotizam, olhando ao longe parecem com lego monocromático.
A Aldeia pertence ao Concelho de Arganil. A localização na Serra do Açôr facilita o entendimento do porque as casas se amontoam na escarpa, formando um grande “anfiteatro”. Foi para se adaptar ao traçado do terreno. Conta a lenda que os pastores foram atraídos para o local por causa das nascentes em abundância da Serra. Ali, ainda na idade Média, iniciou-se a formação do povoado. O acesso por carros é coisa recente.
O FUGITIVO
Além da formosura, o local tem a fama de ter abrigado um dos assassinos de Inês de Castro, a amada de D. Pedro que hoje descansa ao lado dele no Mosteiro de Alcobaça. Seu nome Diogo Lopes Pacheco, fugido de Coimbra quando D. Pedro começou a vingar a morte da amada. Verdade ou não, o fato é que hoje Lopes e Pacheco são dois sobrenomes populares na região.

AS CASAS DE XISTO
As casas são em alvenaria de pedra de xisto, das paredes às lajes. As pequenas janelas são normalmente pintadas de azul assim como as portas. Reza outra lenda que essa cor era a única que existia na loja quando o povo começou a pintar as casas.
A aldeia não é a “original”, mais abaixo ruínas delatam a existência anterior de uma menor aldeia chamada Casal de Piodam, o significado dizem ser “a gente ou o povo que anda a pé”, eu acredito.
Na Páscoa “Cruzes são feitas com o Ramo de loureiro benzido e são postas nas vergas das portas para afastar o mau-olhado”, explica o site das aldeias históricas de Portugal.
Passear por suas ruas estreitas e íngremes requer disposição e um bom calçado. As levadas acompanham o trajeto, são aqueles pequenos canais que conduzem a água ao lado da rua. De repente um simpático recanto surge, formado por um largo em meio a subida, respire…
PIÓDÃO – O QUE TEM LÁ?

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, pousada no alto de uma escadaria de xisto é incomum. Seu branco (não é de xisto) impressiona. Talvez pelo contraste com o cinza do restante da aldeia e o negro das roupas dos habitantes. A única coisa comum são os traços de tinta azul combinando com as portas e janelas das casas. Foi construída no século XVII, com fachada em estilo neoclássico do século XIX, quando foi reconstruída.
Outro ponto a visitar é a Capela de São Pedro. Pequenina e bem lá no alto, foi construída no século XVI. Guarda em seu interior a imagem de São Pedro, padroeiro do Piódão – cuja festa no dia 29 de junho se repete anualmente.
Há na aldeia também o Museu do Piódão, na praça principal antes das escadas. Conta a vida da Aldeia e seus habitantes.

Para levar como lembrancinha, várias lojinhas oferecem mel, aguardente, queijo, a famosa Broa de batata e casinhas de Xisto, claro.
A PRAIA DO PIÓDÂO
Mais um presente aos sentidos dos visitantes da Aldeia do Piódão. Uma praia fluvial de água límpida e fresca, em um local muito agradável, imperdível nos dias quentes. A praia foi atestada com a Bandeira Azul que garante a qualidade superior da água e da infraestrutura de apoio ao local. Nem precisava, só de olhar a cor da água já dá vontade de mergulhar.
ANDAR DÁ FOME
Se tiver fome, o primeiro e mais famoso restaurante do lugar pode ajudar. É o Piódão XXI. Além dele tem o famosão Solar dos Pachecos (Olha o sobrenome do fugitivo aí de novo). Ambos no Largo Cónego Manuel Fernandes Nogueira. Além destes alguns outros restautrantes surgiram devido a demanda turística. Também O Fontinha, remodelado recentemente em 2012, Rua Eugénio Correia “Arquitecto”.
GOSTEI, VOU FICAR.
Se quiser pernoitar por lá, existe um número razoável de opções de todos os níveis. A experiência vale a pena, imagine a vila à noite ou banhada de luz ao nascer do sol!
A Casa da Padaria parece ser uma unanimidade, basta tocar um sino que fica ao lado da porta que os proprietários o levarão para dentro da construção, inspirada nas casas de xisto da aldeia. São apenas 4 quartos muito concorridos, todos dão vista para a Serra, então é aconselhável a reserva antecipada AQUI. A simpatia dos proprietários faz você se sentir na casa da sua avó! Peça a eles para contar a história da pousada.
Outra sugestão, esse a 1,5km da aldeia, é o Inatel Piódão. Situado numa encosta plana, tem uma vista de arrepiar, com o Piódão em primeiro plano. O serviço é de qualidade. Bar, restaurante, piscina coberta aquecida, sauna, jacuzzi, Wi-fi e 27 quartos, além do estacionamento próprio. Um 4* a um preço bastante bom. Veja AQUI
Por fim, a última lenda do local. Dizem que jaz escondido entre as pedras das casas um tesouro: moedas de ouro! Teriam sido esquecidas ou perdidas pelo Lopes Pacheco, o tal assassino da quase Rainha Dona Inês.

AINDA NÃO CANSOU?
Quem ainda tiver disposição pode se aventurar numa caminhada pequena, mas íngreme. A aldeia tem placas de percursos indicando o caminho até Foz d´égua (3km-0h55) ou até Chãs d´Égua (4km-1h05)
COMO CHEGAR:
Sem trens e sem ônibus de carreira, a opção é o carro.
De Coimbra, pegar a IP3 e IC6. São 96 km, aproximadamente 1h 30 min. De Lisboa, 295 km via A1 em direção a Coimbra, são 3h20. Do Porto são 199km, via A1 também na direção a Coimbra. Depois saia para IC6 (sentido Covilhã/Oliveira do Hospital/Arganil/Piódão) e siga até aparecer a saída para Piódão. Pegue então a N344 até Côja (ponte antiga). Em Côja, depois de atravessar a ponte sobre o rio Alva, pode optar por seguir pela direita ou pela esquerda. A primeira opção atravessa o centro da vila. A partir daí é só seguir as indicações para Piódão e usufruir da vista que é de cortar a respiração.
Mas Atenção: NÃO DIRIJA À NOITE, a partir de Côja a estrada vira uma serra sinuosa e sem acostamento.
Imagens Aldeias Históricas de Portugal Sapo.pt e Pinterest




Deixe um comentário