PORTUGAL – Nazaré – Chegada a Leiria

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NAZARÉ – NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PLACA

Então nos despedimos de Óbidos no post anterior e partimos pela manhã para Leiria. Esse trecho é muito simples. Pegue a A8 e siga por 45 minutos mais ou menos e você está lá. Fácil demais né? Então vamos complicar um pouco. Meia hora (ou 40km) depois de Óbidos, você vai ver essa placa na A8:

Placa na estrada

Então você nem pensa, pega a saída 22 para V.(alado) dos Frades e toca para Nazaré pela N8-5. Vamos conhecer uma das mais bonitas praias do litoral português, com suas ondas gigantes. Porque lá é local da maior onda já surfada em todo o mundo por Garrett McNamara… E quem sabe não dá também para comer uma sardinha!?

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

Aqui vale uma observação que já fiz anteriormente: Não sou favorável aquela correria de querer conhecer todos os lugares num raio de 120km em 4 horas, mas levo em conta que nem todo mundo gosta das mesmas coisas. A intenção é apresentar todas as opções de passeios da cidade/região, porém a definição do que cabe ou não na SUA viagem, é só sua.

O legal é justamente poder encaixar ou não um passeio inesperado, dependendo da sua disposição. Estamos de férias, e eu por exemplo não tenho mais idade para ficar “batendo perna” por 10hs e ainda estar disposta a dar um rolezinho à noite. A ideia é aproveitar o máximo do dia sem prejudicar o seguinte! Depende do que você gosta.

Eu particularmente adoro sardinhas na brasa então…

NAZARÉ

Já ouviram falar das 7 saias de Nazaré? Não? Pois, reza a lenda que enquanto seus maridos iam para o mar atrás de pescado, as mulheres ficavam sentadas na areia em vigília já que o mar ali é muito perigoso. Por causa do frio e da maresia, elas usavam várias saias para se proteger. O detalhe: As de cima elas levantavam para proteger a cabeça e os ombros, as outras deixavam para as pernas. Por causa dessa lenda as saias de Nazaré são hoje famosas e as lojas vendem aquelas bonequinhas com sete saias como lembrança para os turistas. Tive várias e lembro de ficar contando as saias delas, eram 7 mesmo.

Nazaré - mulheres de 7 saias

Em resumo é uma linda vila piscatória, que ficou famosa como ponto turístico. Além das ondas, a aparição de Nossa Senhora no alto de uma montanha na vila, a transformou em local de peregrinação e culto. O acesso até o monte (Sítio de Nazaré) pode ser de carro ou subindo uma escada a pé. Mas há também um bondinho, que leva do monte até a Praia da Vila, um passeio muito interessante.

O QUE VER ALÉM DAS ONDAS

Os pontos turísticos da Vila são, além do Santuário da Nossa Senhora da Nazaré, o Mirante do Suberco, a Ermida da Memória, o forte de São Miguel Arcanjo e a Praia do Norte. Vale a pena conhecer esses locais. A vista do Mirante do Suberco é um bálsamo para os olhos, principalmente no pôr do sol. A Ermida da Memória marca o local da aparição de Nossa Senhora; o Santuário é um belo monumento no centro da Vila; o Forte é onde fica o Farol de São Miguel e de onde se pode tirar fotos espetaculares das ondas gigantes.  A Praia do Norte é o local onde se realizam os famosos campeonatos de surf transmitidos para o mundo inteiro. Tem também a Praia da Vila onde o destaque fica por conta do casario colorido junto à calçada da praia. Ali perto em 2016 inauguraram o improvável “Museu do Peixe Seco”!

Dá só uma olhada nessa foto tirada do farol. Achei no http://pt.surf-forecast.com

Onda gigante - Nazaré
Onda gigante vista do Farol de São Miguel

E se você pensa que para fazer esse desvio de rota só se for verão engana-se, no inverno é que acontecem as grandes ondas de Nazaré e é quando os campeonatos se realizam.

NÃO PODE FALTAR UM “DENTINHO”

A gastronomia por lá é a base de peixes e mariscos, claro. Além da caldeirada de diferentes peixes que aquece o inverno, o destaque é a sardinha na brasa, eu não sei vocês, mas eu A M O! Tem ômega 3, cálcio, faz bem para o coração e é deliciosa!

Em Nazaré, como pode ser visto em seu Museu, há a tradição de secar o peixe, que surgiu da necessidade de conservá-lo para os dias de escassez. “A atividade realiza-se diariamente por um grupo de peixeiras a Nazaré, no estendal, localizado na praia, ao sul. Tradicionalmente, assegurava o sustento das famílias quando o peixe escasseava, mas também permitia conservá-lo para ser vendido nos mercados da região, o que ainda hoje acontece.” Diz o site da Câmara Municipal de Nazaré.

Nazaré - Peixe seco

Então depois desse pequeno desvio, pegamos a estrada de volta e seguimos por mais meia hora até Leiria.

LEIRIA

Preciso ser sincera. Leiria é uma cidade que dificilmente entra no roteiro dos turistas que visitam Portugal, a não ser que faça parte da história de família. Entretanto, a cidade está estrategicamente localizada para quem faz a rota Lisboa x Porto. Então vamos ver se ela não é mais que um pontinho bem posicionado no mapa.

Leiria - Praça central

Comece seu passeio pela linda Praça Rodrigues Lobo. Com vários cafés, bares e restaurantes, este é o local para relaxar e tomar uma bebida acompanhada de uns petiscos. Como vamos pernoitar em Leiria, ao cair a noite olhe para cima e não perca a linda visão do Castelo iluminado, imponente, vigiando a cidade e a praça!

O CASTELO DE LEIRIA

Começando pelo Castelo. Chega-se até lá a pé a partir da Sé de Leiria. Nada muito puxado, mas requer uma certa disposição.  O Castelo domina a paisagem da cidade, aliás ele veio antes, o povoado depois. Foi tomado dos mouros por D. Afonso Henriques, em 1135 e mudou de mãos ainda algumas vezes até ser reconstruído em 1190. Dá para imaginar portanto que os reis que viviam se deslocando por causa das guerras, muitas vezes se utilizaram desse Castelo para pouso, por ser ele muito bem localizado.

Leiria - castelo a noite

No Castelo os pontos de maior interesse são: a Igreja de Nossa Senhora da Pena, os antigos Paços Reais, a Torre de Menagem e sobretudo a sua vista sobre a paisagem envolvente.

A importância desse monumento vai além de seu mirante e a bela vista sobre a cidade. A Wiki conta que “Ao raiar a Restauração da Independência (1640), o Castelo de  Leiria foi uma das primeiras fortificações a erguer o pendão de Portugal.”

Horários: Verão (01/04 a 30/09): 10h00 – 18h00     Inverno (01/10 a 31/03): 09h30 – 17h30   Preço: Adulto – 2,10€

O RIO LIS E O MUSEU DO PAPEL

Um passeio relaxante após o almoço ou jantar é caminhar junto ao Rio Lis. Na passagem pela sua margem esquerda, depois de uma curva está o interessante Museu do Moinho do Papel. Fica na antiga Rua da Fábrica hoje Roberto Ivens, próximo ao centro e data do séc. XIII. Seu objetivo portanto é preservar a memória de artes e ofícios tradicionais como a moagem de cereais, a fabricação do azeite e a produção do papel.

A PRAIA E O PINHAL DE LEIRIA

Sim, Leiria fica a 20km do mar, e tanto a linda floresta do Pinhal de Leiria como o litoral a que se chega ao atravessá-lo, com praias como São Pedro de Moel e Pedrógão, valem a escapada. Ali, bem como em Vieira de Leiria na foz do Lis, os turistas se apinham no verão para ver a prática da pesca tradicional. As redes saem do mar lotadas de peixe capturados de forma tradicional. Chama-se Arte Xávega. O peixe é vendido ali mesmo pelos pescadores. Em São Pedro de Moel avista-se também o Farol do Penedo da Saudade, construído em 1912, uma atração a mais.

Também o Pinhal de Leiria insere em sua criação a própria história de Portugal, o país moldado pelos descobrimentos marítimos. As madeiras ali foram semeadas para permitir a construção naval do País, levando o seu nome mundo afora. D. Afonso III (século XIII), deu início à plantação dos pinheiros e com o Rei D. Dinis (entre 1279 e 1325) esta cultura foi intensificada.

A importância do Pinhal também foi grande para a produção de carvão que alimentava os fornos das indústrias metalúrgicas e as de vidro, tão importantes na Região central do País

EÇA DE QUEIROZ

Outra curiosidade: foi em Leiria que Eça de Queiroz se inspirou para escrever o romance proibido entre Amaro e a jovem Amélia. Existe até a Rota do Crime do Padre Amaro, indicando os locais que serviram de inspiração ao escritor. Além disso existem pontos na cidade que homenageiam o escritor, inclusive uma cafeteria, o Espaço Eça, muito simpática e bem decorada vale um café (ou uma cerveja) ao cair da tarde. Aberto de seg – qui, 9h às 20h. Sextas e a sábados, 9h à meia-noite. Rua Barão de Viamonte, 10A.

MUSEU DE LEIRIA

Alojado no antigo Convento de Santo Agostinho, o Museu finalmente abriu as suas portas. A coleção hoje compilada no antigo convento, passou por diversos recantos da cidade por 97 anos até chegar ali. A história de Leiria é apresentada em detalhes: da construção do castelo à cidade romana de Collipo; o pinhal de Leiria e a Leira enquanto cidade-diocese.

End: Rua Tenente Valadim, 41. De seg a dom, 9h30 às 17h30. Bilhete a 5€ (Combo Museu de Leiria, Moinho do Papel e áudio-vídeo-guia).

E, pensando no tempo que temos minha sugestão é: no primeiro dia pela manhã passear pela cidade e a tarde visitar os Mosteiros ao redor, pelas noites descobrir Leiria.  No segundo dia fazer Fátima e Tomar.

No próximo capítulo (ou post), as visitas em dois dias com base em Leiria.

2 Responses

  1. julia nogueira

    Ao pegar a estrada, vocês não consideraram pegar vias sem pedágio? Acho que ficaria mais em conta!

    • admin

      Bom dia Julia, é sim uma opção. No meu caso dou preferência a segurança, acredito que as vias sem pedágio configuram uma estrada com menos manutenção o que pode causar algum receio. Já fiz essa opção por causa do tempo de deslocamento, quando a diferença é considerável pago para ver e sim, já me perdi algumas vezes por causa disso, já que essas vias costumam ser menos amigas do sinal de GPS. Se estiver com tempo de sobra até vale a pena se perder por essas vias, normalmente a gente acha cenários bucólicos e belos.
      Obrigada pelo contato.

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