Dia 19/08/2004
O Rochedo
Não dava para seguir viagem sem ver de perto “The Rock”. O rochedo de Gibraltar exerce um fascínio pela sua história recheada de guerras pela disputa do território. A Espanha mantém a reivindicação sobre o Rochedo, o que é totalmente rejeitado pela população apegada às raízes britânicas. Encravado no território espanhol ao sul da península ibérica, é um dos territórios britânicos ultramarinos desde 1704. Possui um papel militar estratégico por ser a porta de entrada da Europa via Mar Mediterrâneo, passagem natural entre a África e a Europa, o estreito é uma das mais vias marítimas mais movimentadas do Mundo, com a passagem de um navio a cada seis minutos, sendo fortemente protegido.
Mas o que chamou mais atenção ao entrar no território foi sem dúvida seu aeroporto. Passávamos de carro por uma grande avenida quando o sinal fechou. Normal, esperávamos a abertura do fluxo de automóveis na transversal quando de repente o que vimos passando foi … um avião!! Sim, a pista do aeroporto passa no meio de uma grande avenida e cada vez que uma aeronave vai pousar ou decolar, o sinal fecha para dar lugar a passagem do avião, fantástico!
Outra coisa que me impressionou foi o barulho dos caças sobrevoando os céus, ali existem bases da OTAN e na época o movimento era grande por causa da guerra do Golfo.
Depois de uma voltinha pela cidade seguimos em direção a Granada.
Antes de baixar em Granada, demos uma esticada até Sierra Nevada, uma estância de esqui a 30km de Granada. Como era pleno verão não havia neve, mas a temperatura era bem agradável. O parque estava praticamente vazio, mas mesmo nessa época do ano as paisagens são lindas. Subindo na estrada passamos por um dos maiores perrengues da viagem. Em um determinado ponto o visual fez todos no carro soltarem um “nossa!!”, um lago em meio as montanhas belíssimo, resolvemos parar para fotografar. Uma das câmeras estava na mala e ao tentar abrir percebemos que… não abria. Lembrando que a mala estava carregada de bagagem, praticamente sem espaço algum sobrando, e a tampa não abria. Tentamos, puxamos, batemos e nada… O desespero bateu quando percebemos que uma alça da mochila foi trancada junto com o fecho da tampa e por isso não conseguíamos abrir. Depois de várias tentativas, o Rogério passou por cima das malas pelo banco traseiro e foi literalmente cavando entre as bagagens até que conseguiu chegar ao fecho e abrir por dentro, no meio do nada só se ouvia a algazarra de cinco vozes aliviadas! Observação: lembrar sempre de checar se não há nada impedindo a trava da tampa da mala antes de fechar!
Valeu pelo visual.
Sempre quis conhecer essa cidade. Quando pequena ouvia a música de Augustin Lara e achava forte, cigana e me encantei por um lugar que não conhecia “Granada, tierra soñada por mí”. Pesquisando descobri a cidade universitária, moura, lugar que abriga uma cidadela patrimônio da humanidade, um legado mouro cuja história vem desde o século XI: La Alhambra. Não via a hora de conhecer a cidade e as muralhas vermelhas da fortaleza. Ansiedade para entrar e visitar as torres, jardins e palácios. Deixamos as malas no hotel que ficava no centro e nos dirigimos para lá, a fim de comprar os ingressos, não era cedo, mas no verão as visitas vão até tarde da noite. Enfrentei uma fila enorme e quando cheguei no guichê veio o balde de água fria: “Não temos mais ingressos nem para hoje nem para amanhã”. Uma das maiores desilusões que tive entre todas as viagens que fiz. Aí aprendi que assim que definir seu roteiro, compre os ingressos com antecedência! La Alhambra é um exemplo disso, não importa o período do ano, é imprescindível reservar antes pois o número de visitantes por dia é limitado. Há vários tipos de tickets, diurno, noturno, só os jardins, só os palácios enfim… para todos os gostos! No Viaje na viagem tem um passo-a-passo de como comprar os ingressos online. Certamente um dia voltarei a Granada, não apenas, mas principalmente para visitar La Alhambra. Ah! Um detalhe, o estacionamento é enorme, pode ir sem susto que vai achar vaga, mas alguns “flanelinhas” ficam do lado de fora dizendo que está lotado, não acredite, se deixar o caro lá fora vai andar prá caramba!
Granada em si é toda bonitinha, uma cidade bem cuidada, com história para todos os lados, mas também com uma população jovem devido a sua famosa universidade. Além de Alhambra e Sierra Nevada, vale a visita ao bairro árabe Albacín com suas casas pintadas de branco e o mirante San Nicolas de onde se desvenda uma vista deslumbrante da Alhambra e da Serra. E também à Catedral onde estão enterrados o Rei Fernando e a Rainha Isabel que deram fim ao domínio muçulmano na região em 1492. Dá para ver as dicas em português no site de turismo de Granada, site.
É uma cidade fácil de se andar e a oferta de alimentação barata também é grande, principalmente na área do entorno da universidade, e como em boa parte da Espanha a siesta é lei, almoça-se tarde e depois tudo fecha, passamos em algumas ruas que pareciam ter sido evacuadas por uma ameaça nuclear, ninguém, as atrações costumam não fechar. Ficamos num hotelzinho familiar bem no centro histórico, com um preço ótimo e café da manhã, Hostal Atenas.
