Foi minha primeira experiência real de criar e executar um roteiro completo de viagem. Os loucos que compraram a ideia e me acompanharam são os personagens desse episódio: os primos Tina, Renata e Rogério e a amiga Marta. Não dá para entrar em detalhes, na época não me preocupei em anotar muita coisa, vou me ater ao que guardei na memória.
O Início:
Já havia visitado a Ilha da Madeira algumas vezes, mas sempre em eventos familiares o que não me permitia muito expandir os horizontes além da terrinha. No final da década de 1980 e início da de 1990, eu trabalhava em uma empresa de navegação na implantação de sistemas a bordo dos navios. Ali tive a oportunidade de viajar e conhecer alguns lugares nos EUA e Europa. Minha balança sempre pendeu para o lado Europeu, questões sentimentais ou políticas talvez, o fato é que em uma dessas viagens tirei férias após desembarcar na Europa e percorri de trem o trecho Veneza – Roma – Paris – Lisboa. Em Lisboa ainda tinha um compromisso profissional, mas nas outras cidades estava de férias, e depois de Lisboa fiz uma visita rápida a família na Madeira antes de voltar para o Brasil. Providencial, foi a última vez que vi meus avós maternos com vida. O velho Frank lúcido, porém cego e com a saúde debilitada talvez pelos anos de vinho e trabalho, e a avó Gabriela com a saúde de ferro, porém totalmente senil. Comprei o EuroPass assim que desembarquei e fui pulando entre as cidades, sem hotel nem roteiro, foi difícil, e no final pensei que na próxima não iria tão despreparada assim.
A “próxima” demorou mais de 10 anos. Até que em 2003, um amigo me disse que havia finalmente tirado proveito do investimento que fazia mensalmente com a internet. Se preparou para uma viagem com os filhos usando basicamente a Internet, e economizou muito, achei o máximo! Quero fazer isso! Como se faz isso?
Caí dentro da internet (discada) com uma proposta real, passava as noites lendo roteiros publicados e fazendo planos. Primeira decisão: não seria de trem e sim de carro, segunda: não dava para ir sozinha, precisava de mais loucos. Apresentei o projeto em uma reunião familiar e a pergunta era: quanto vai custar? Através de uma amiga, copiei uma planilha de custos de viagem que ela havia feito e modifiquei para as minhas necessidades. Comecei a definir o roteiro através do Google maps. Fucei sites como Booking, Hosteworld, conheci o Renault Eurodrive e aí comecei a planilhar os custos com estadia, carro e alimentação. Aí veio o Viamichelin e com ele a definição dos custos com combustível e pedágio. Resumindo, na reunião seguinte eu tinha pelo menos 3 sugestões de hotel por cidade, valores das atrações de cada local, custo de refeição (viva o “Menu do dia”), despesas com deslocamento e a ideia de ao invés de alugar um carro na Europa, comprar um lá! Todos toparam.
Para quem não conhece, o Renault Eurodrive, assim como o programa similar da Citroen ou Peugeot, propõe o leasing de um veículo zero quilômetro, com seguro, km livre e outros benefícios, desde que seja por no mínimo 21 dias (na época eram 17). Nunca utilizei os serviços das outras, mas a Renault posso garantir que funciona. Os valores dependem de onde pegar e devolver o carro; sendo na França sem custos adicionais além do leasing, se pegar/devolver em outro país, uma tabela informa os valores das respectivas taxas. Os lugares onde o programa está disponível para retirada/devolução são: França, Portugal, Espanha, Suíça, Alemanha, Grã Bretanha, Itália, Bélgica e Holanda. No Brasil são poucas as operadoras que fazem o contrato, mas uma busca rápida no Google é suficiente para achar uma delas. Na época o leasing foi +- 30% mais barato que o aluguel e ainda tínhamos um carro 0 Km. Tiramos o carro em Lisboa e por sorte havia uma promoção de cidades com abono da taxa de retirada, Lisboa era uma delas e como devolvemos o carro em Paris, pagamos apenas o valor do leasing, valeu a pena.
O roteiro:
Antes de começar a andança, passamos uma semana na Ilha da Madeira, fomos para a festa da Padroeira Nossa Senhora do Monte. Vale a pena passar o dia 15 de agosto lá, a festa é muito bonita e tradicional.
A minha mala estava especialmente pesada, já que não havia na época o recurso da internet móvel, a saída foi levar tudo em… papel! E como podem ver aí embaixo no roteiro pretendido, era MUITO papel…