Dia 17/08/2004 Madeira – Lisboa – Sevilha

Nosso voo era de madrugada e a hora para retirar o carro era 7hs no aeroporto de Lisboa. Um sentimento de pânico tomou conta durante o voo pensando que tudo poderia ser uma grande furada e a culpa era minha… O que faria se o carro não estivesse nos esperando? Alívio quando avistamos o representante Eurodrive, exatamente na hora e local marcados. E o carro? O que era aquilo???? Um Renault Megane Estate, sem similar no Brasil na época, aqui ele chegou com o nome de Grand Tour tempos depois. Muito parecido com esse da foto, só que um pouco mais claro. Tão zero que tiramos o plástico dos bancos ali mesmo no aeroporto. Primeiro problema: Colocar as malas de 5 viajantes ali dentro, malas essas que já saíram pesadas do Brasil e agora contavam com tudo que tinha sido adquirido na Ilha da Madeira. Demorou tanto que quando conseguimos tiramos uma foto para lembrar como fazer a arrumação novamente. Aliás, isso virou um hábito em todas as viagens, arrumamos a mala do carro e tiramos uma foto. Na próxima parada é só olhar a foto e fazer igual! Recomendo!
megane estate 2004
Partiu Sevilha! 400km e cinco horas depois estávamos na cidade. Aqui vale uma menção a condição das estradas. É fácil viajar assim. Os pedágios estavam onde deveriam estar e no preço que foi pesquisado. A pista é uma seda e cuidado porque se bobear o pé direito pesa e você nem percebe, apesar da velocidade mázima em várias estradas ser de 120 a 140 km/hora. Postos de gasolina com tudo que se precisa, postos de parada com banheiros, mesas e bancos para um lanchinho. É um convite a uma trip. Mas não faça isso em agosto… O calor é intenso e é o mês de férias dos europeus (como viríamos a descobrir com pesar depois), as estradas estão cheias demais. Se puder fuja de agosto nas estradas europeias, se não puder… bem, ainda vale a pena.

Claro que vamos aprendendo a medida que fazemos as bobagens. Essa viagem foi em grande parte passada dentro do carro, cada dia em um hotel, não recomendo, vira uma maratona, não é a toa que nos apaixonamos pelo carro, praticamente vivemos dentro dele. O ideal é reservar pelo menos 3 dias em cada cidade e ir fazendo um “bate/volta” nas mais próximas. Não dá? Não estique o roteiro, diminua o trajeto.

Sevilha é mesmo uma graça, mas a primeira desilusão veio rápido, não consegui entrar na Catedral. Paramos no hotel, banho e rua, mas quando chegamos no centro ela já estava fechada. É bom sair daqui com os horários na cabeça sem esquecer o fuso, Sevilha tem +1 hora em relação a Lisboa, então cuidado aos horários. Às terças a Catedral fecha às 17hs, porém nesse dia estava havendo um evento comemorativo dos 150 anos da Proclamação do dogma da Imaculada Conceição e quando chegamos por volta das 15:30 ela já estava fechada.
Aqui tem tudo sobre a Catedral, horários, tarifas, fotos e vídeos. A história completa está na wikipedia. Ela é monumental, a terceira maior Catedral do mundo, só perde para a Basílica de São Pedro no Vaticano e para a nossa Nossa Senhora de Aparecida. Cristóvão Colombo está (supostamente) enterrado lá e sua torre, um minarete transformado em campanário (La Giralda), impressiona mesmo vista apenas de fora.

Uma coisa que se percebe de cara é a influência moura em todo sul de Portugal e Espanha. O Mediterrâneo é breve e as invasões constantes. O povo do norte da África se misturou com os Europeus puros, influenciando a arquitetura, a cultura, deixando seus traços na pele a tal ponto que em alguns lugares temos a impressão de que estamos em uma extensão do norte da África e não na Europa. É bem interessante. No centro não é necessário carro para nada, estacionamos numa rua próxima ao bairro Santa Cruz e fizemos tudo a pé.

Sevilha tem muitas outras atrações, por exemplo o Palácio de Alcázar, a Torre do Ouro, a Plaza de España (magnífica) e o muito recomendado bairro de Santa Cruz; ali na maioria das ruas não passa carro, e se perder por elas é um programa e tanto, apreciar suas praças suas lojinhas e seus restaurantes charmosos, sente e veja a vida passar. O Hotel que ficamos ficava longe do centro, mas tinha um excelente custo x benefício, o Doña Carmela. Na diária estava incluído o café da manhã (coisa rara por lá), ele tem estacionamento (pago) e elevador (mais raro ainda). Ficamos uma noite e saímos no dia seguinte pela manhã, rumo a Algeciras com direito a uma visita ao Marrocos, e que visita!


Sevilha panoramica

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