PROVENCE: As belas paisagens do Bouches-du-Rhone
Só lembrando que A feira local de Avignon que não é na rua e sim em Les Halles, um mercado fechado de terça a sexta 6h-13h30, sábado-domingo 6h-14h. End: 18, Place Pie.
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ARLES

Arles é uma cidade curiosa, veja só: Ela é só a terceira maior cidade do Bouches-du-Rhone em população, mas é o maior município da França em extensão. Isso porque o Parque Regional de Camargue está incluso nessa conta. Arles também está listada em três diferentes tipos de patrimônio mundial da UNESCO, 1) por seu centro histórico, 2) por fazer parte de uma das rotas de São Tiago de Compostela e 3) Finalmente por seu parque natural que faz parte da rede mundial de reservas da Biosfera.
A estrada de Avignon antes de chegar em Arles ainda passa pelo Parque Regional dos Alpilles, o segundo parque dessa zona, com terras agrícolas e florestas mediterrânicas, habitat para mais de cem espécies raras ou protegidas.
ARLES E A ARTE
A cidade tem mais de 2500 anos de história para contar, mas não é só isso. À essa história ela une Arte. Todo admirador de Vincent Van Gogh não pode deixar de visitar a cidade onde ele morou e dona de tantas paisagens retratadas em sua obra. Além de também ter sido o palco do incidente da orelha cortada, não sei se isso conta como ponto a favor, mas…
A cidade e seus arredores impressionou também outros pintores como é o caso do espanhol Pablo Picasso, e o francês Paul Gauguin. Nenhum deles está tão diretamente ligado a cidade como o holandês. Então vamos começar pelo legado de Vincent, porque enquanto você se desloca pela cidade seguindo seus passos já vai se familiarizando com todo o patrimônio histórico.
O pintor holandês morou em Arles de 1888 a 1889 e nesse curto período produziu mais de 300 obras entre pinturas e desenhos. A cidade homenageia a arte de Van Gogh com festivais anuais, além de locais próprios para visitação. Picasso é outro mestre que tem muitas obras inspiradas na cidade. Veja aqui.

VINCENT VAN GOGH
Para conhecer mais sobre a vida dele vá até a Fondation Vincent van Gogh (24 bis, Rondpoint des Arènes, 33-04) e veja também como era seu quarto em uma réplica instalada La Chambre de Vincent. Mas não para por aqui, em toda cidade você tropeça em reproduções dos seus quadros e o mais legal, no local exato onde ele montou seus cavaletes. Experimente o The Van Gogh Walking Tour. É um circuito indicado por placas que levam você por painéis que representam sua pintura no local onde foram pintadas.
LEGADO ROMANO – O ANFITEATRO
Dessa forma, andando atrás de Van Gogh você vai perceber que o legado romano está por toda parte, e a obra principal é o Anfiteatro de Arles. Digamos que é a estrela principal dessa cidade-arte. Data do século I e já foi capaz de acomodar mais de 20.000 expectadores. Construído para Lutas de gladiadores, após a queda do Império no século V, tornou-se um abrigo da população e depois uma fortaleza com quatro torres onde existiam mais de 200 casas e 2 capelas. O anfiteatro era então uma cidade real, com sua praça pública construída no centro da arena.

Atualmente o local abriga touradas e grandes eventos como a Arelate, a festa medieval que acontece anualmente na cidade. O programa completo da arena pode ser conferido aqui.
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
Fica na Rond-Point des Arènes. Fecha durante a Semana Santa. Os horários de abertura são:
De 02-11 a 28-02: das 10h às 17h // De 01-03 a 30-04: das 9h às 18h
De 02-05 a 30-09: das 09h às 19h // De 01-10 a 31-10: das 9h às 18h.
O TEATRO ANTIGO

Outro tesouro dessa época é o Teatro Antigo, um dos mais antigos monumentos da cidade, que foi construído no tempo de Augusto, final do séc I AC. Era composto de 33 andares de arquibancadas, em semicírculo. Os expectadores eram separados conforme seu posicionamento social. O palco, uma estrutura apoiada em uma parede decorada com colunas e estátuas grandiosas. Tente imaginar como era a obra maravilhosa.
Na Idade Média o teatro foi usado como fonte de pedras para a construção da muralha de proteção da cidade. Dessa forma, hoje restam apenas 2 colunas da parede do palco. Mas podemos ver ainda a Torre Roland, que era uma das antigas entradas e que dá a dimensão do tamanho impressionante que tinha esse monumento. Fora isso só mais alguns fragmentos, infelizmente.
Enfim, hoje ele é usado novamente como teatro durante o verão. A maior parte de fragmentos achada em escavações está no Museu da Antiguidade (Presqu’île du cirque romain BP 205 / 20min de caminhada desde a Arena). A mais importante, a ” Vênus de Arles”, não está na cidade e sim no Louvre em Paris. É uma representação da deusa Diana, que foi descoberta perto de uma fonte em 1651. O Museu expõe uma réplica da original e as maquetes desses monumentos.
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
Fica na 8 rue de la Calade
De 02-11 a 28-02: das 10h às 12h e das 14h às 17h. // 01-03 a 30-04: das 9h às 12h e das 14h às 18h.
De 02-05 a 30-09: das 9h às 19h // 01-10 a 31-10: das 09h às 12h e às 14h – 18:00.
Ingresso adulto 6€ dá direito a entrada nos dois monumentos a Arena e o Teatro.
A cidade disponibiliza um site sobre os patrimônios da vila com todas as informações históricas e reproduções como essa do teatro antigo, bem interessante. Enfim, é um deleite para os amantes de arte e história.
TERMAS DE CONSTANTINO
Igualmente a toda cidade romana que se preza, também em Arles as termas estavam presentes, e não só uma. Mas a que permanece hoje mais conservada é o conjunto conhecido como Termas de Constantino. Pouco se vê da edificação antiga, apenas o Caldarium (banho quente) e partes do Hypocaust (piso aquecido) e Tepidarium (sala de ar quente) permanecem. Está localizado no norte da cidade, perto do Rio na região chamada “Grand Rhône”. Endereço: Rue Dominique Maisto.
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
De 02-11 a 28-02: 13h – 17h // De 01-03 a 30-04: das 9h às 12h e das 14h às 18h.
De 02-05 a 30-09: 9h às 12h e 14h às 17h // De 01-10 a 31-10: das 9h às 12h e das 14h às 18h.
Ingresso adulto 3€
Por outro lado, a cidade ainda tem a oferecer: o Cryptoportico, que são galerias localizadas no subterrâneo da cidade; O Alyscamps, uma grande necrópole romana, uma das mais famosas do mundo antigo; A Praça do Forum com 2 colunas do Forum antigo ainda visíveis. A Catedral de São Trophime, na Place de la République, uma Catedral católica Romana que vale a visita (é a mais bonita da cidade); a Muralha e a Porta de Augusto, por onde era feito um dos acessos à cidade e muitos outros locais que fazem dela uma das mais interessantes e encantadoras cidades da região. Em suma, preste bem atenção pois ali em cada esquina que virar pode dar de cara com um fragmento de arte romana.
Para não alongar demais, consulte no site da cidade todos os e ventos, horários e preços das atrações. Muitas têm passes combinados que valem por 1 mês, dá para encaixar em mais de uma visita, se der tempo.
ALTERNATIVAS
Arles fica distante 34km de Nîmes e a 40km de Avignon, as 3 formam um triângulo. Saindo de Avignon, dá para fazer um bate-volta um dia em uma, outro dia na outra. Por serem próximas, se o tempo for curto, até dá para sair de Avignon e fazer as duas em um dia só, mas não aconselho. É muita história para contar! Se não tiver outro jeito, fazer o que né?
CAMARGUE e LES SAINTES-MARIES-DE-LA-MER
Para fechar esse trecho da viagem, se você saiu numa hora legal de Arles e quiser dar uma esticadinha, siga em direção ao sul e entrará na região de Camargue, onde o Ródano desemboca no Mediterrâneo. Famosa por ser a terra dos ciganos e dos cavalos selvagens. É o território que abriga o Parque Natural Regional de Camargue, cheio de lagoas onde foram construídos diques e onde se cultiva frutas, arroz, viticulturas; onde são criados cavalos e touros e ali também onde os flamingos, mundialmente conhecidos, se abrigam.
Para os amantes da natureza a visita ao parque é imperdível. É só visitar o site e montar sua visita, ali tem tudo que você pode precisar, inclusive um mapa, mais ou menos assim:

Atravessando ao longo do Parque, bem ali junto ao delta do Ródano chega-se a uma pequena cidade chamada “Les Saintes-Maries-de-la-Mer” ou traduzindo “As Santas Marias do Mar”. A cidade com prédios baixos rodeados das águas e lagos de Camargue, fica a 125km de Marseille, 37km de Arles e 79km de Avignon. Assim foi, construída em torno da sua Igreja nos séculos XI e XII, dentro da muralha. Bem conservada ainda hoje, a Igreja de Sainte Sara é um local sagrado de peregrinação para a comunidade cigana.
LENDAS E CIGANOS
A cidade é recheada de lendas em relação a sua origem e aos ciganos. A mais famosa conta que após a morte de Jesus Cristo, Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia, Lázaro e Sara (uma cigana escrava), foram jogados ao mar em um pequeno barco sem remos, na fuga de Jerusalém. Desesperadas, as três Marias começaram a rezar. Sara por sua vez retirou seu lenço da cabeça e prometeu a Cristo que se todos fossem salvos ela seria sua escrava e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito.

O barco atravessou em segurança o oceano e chegaram à França. Conta-se que Maria Madalena foi para Saint Baume, Lázaro para Marseille. Marie Jacobé e Marie Salomé ficaram na cidade com a escrava Sara até sua morte. Seus milagres a fizeram Padroeira do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio.
NA CIDADE
A cidade tem uma bela marina, mas ainda não foi contaminada pelo turismo, bem autêntica. Além da Reserva Natural de Camargue, vale uma visita à Fortaleza construída para abrigar as relíquias das Marias e de Sara – A Virgem negra. O acesso a parte mais alta da Igreja dá-se por uma escada de 53 degraus. De lá, uma linda vista da cidade. Dentro da igreja está o barco das 3 Marias, que é levado nas procissões.
Na capela alta, relíquias das Marias e de Sara.
Em torno da Igreja fica o comércio local, com boas lojas para comprar produtos da Provence. No verão o acesso se torna mais complicado por causa da procura às praias da região que são de areia, o que atrai muitos turistas que querem se estender ao sol.
Um passeio diferente para visitar e conhecer a cultura cigana. Se a intenção for curtir uma praia, inverta. Vá direto a Camargue, pegue uma praia e retorne por Arles, também é uma boa ideia.
FIM DO DIA
Hora de retornar a Avignon. Fazendo as contas de tempo e estrada, o resumo em mais uma planilhinha é claro… Repetindo para quem não viu a Parte I: Eu adoro uma planilha. Acho uma forma muito eficaz de ter uma visão macro de todo o planejamento. Vou sugerir aqui uma que seria um pedaço da que faço habitualmente nas minhas viagens. Depois você pode brincar de incluir colunas, totalizar, etc.
VALORES ESTIMADOS!! Baseado em um carro à diesel com o combustível valendo €1,40/L
OBSERVAÇÕES:
Sim, não se espante, nessas estradas esqueça o cálculo de 100km/Hora!
Se estiver sem pressa, não use as autoestradas, quanto menor a estrada mais bela a paisagem
Nas colunas de saída e chega(da) você pode estimar sua disponibilidade e verificar se vai dar para visitar tudo. Inclua outras despesas e totalize para ter o gasto total da viagem.


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