Mosteiro de Alcobaça

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Mosteiro de Alcobaça

MOSTEIRO DE ALCOBAÇA – A última morada de Inês e Pedro

A visita ao Mosteiro de Alcobaça geralmente faz parte de um combo dos mosteiros da Região Central de Portugal: Alcobaça-Batalha. Quase sempre as visitas são conjugadas e a comparação entre os Mosteiros é inevitável, e esse belo exemplar símbolo do grande amor cantado por Camões, geralmente acaba perdendo. Eu acho uma tremenda injustiça!

O nome oficial é Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça ou Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça. Alcobaça é uma cidade na região do centro de Portugal e  fica situada na confluência dos rios Alcoa e Baça (leia rápido, entendeu?) no distrito de Leiria. É uma simpática Vila que tendo tempo vale uma visita, mas a atração principal sem dúvida é o Mosteiro, que como seu co-irmão Mosteiro da Batalha, também figura na lista da UNESCO como  Património da Humanidade e foi também eleito como uma das 7 maravilhas de Portugal.  Foi a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português e o início de sua construção data de 1178. Mais datas, história e detalhes podem encontrar na Wiki.

DOM PEDRO E DONA INÊS

O que me encanta mesmo nesse Monumento é a sua essência já que é a morada dos túmulos de Inês de Castro e D. Pedro I de Portugal (não é o nosso D. Pedro!) que são protagonistas de uma das mais belas (e aterrorizantes) histórias de amor de toda humanidade na minha modesta opinião.  A história eu conto abaixo, mas acredito que mesmo quem não a conhece já ouviu a frase “Agora Inês é morta”! Até Camões se rendeu a história e a imortalizou no Canto III d’ Os Lusíadas.

Vamos primeiro ao material, depois ao amor impossível! ♥

O QUE TEM LÁ?

Logo na chegada ao Mosteiro de Alcobaça já ficamos encantados com a assombrosa fachada no estilo barroco que nos faz imaginar os segredos guardados ali. A visita sem um guia pode se tornar um problema devido as dimensões do Templo. Tenha em mãos ao menos um “mapinha” para se guiar.

A Igreja tem 106m de comprimento, sendo o maior espaço religioso gótico do país. Sua planta tem formato de cruz latina e ao final da nave central está o altar-mor, com uma “cabeceira” (oficialmente um deambulatório) que integra 9 lindas capelas adornadas com esculturas em madeira. Apesar da decoração austera, a imponência de seu longo Corredor central com colunas que chegam a 23m de altura impressiona pela elegância, o teto parece inalcançável, fiquei pensando em como se troca uma lâmpada?

Vai aqui uma ajudinha em formato de planta baixa e resumos dos elementos:

MOSTEIRO DE ALCOBAÇA – AS DEPENDÊNCIAS MONÁSTICAS

À esquerda da entrada uma porta leva até a Sala dos Reis, adornada na parte de baixo por azulejos que contam a história da fundação do mosteiro, e acima em suportes (mísulas), estátuas que representam os reis de Portugal, de D. Afonso a D. José. Também exibe uma “Virgem e o Menino” em estilo gótico.

Dali entra-se no Mosteiro pelos belos jardins e o Claustro D. Dinis ou Claustro do Silêncio, alusão ao silêncio guardado pelos monges que vivam no Mosteiro e que por ali circulavam. Colunas sustentam três arcos encimados por um rosetão. Muito agradável e a vontade é ficar ali parado, observando cada detalhe.

Essa era a área central e a sua volta estão dispostas as principais dependências, além da Igreja:

ALÉM DA IGREJA TEMOS:

O Lavabo fica em frente ao refeitório (faz sentido…) com uma fonte ou tanque, de água corrente para lavar as mãos. A Cozinha medieval foi reconstruída no século XVIII, tem 18 metros de altura toda coberta com cerâmica branca, e com uma grande chaminé barroca e um detalhe: um braço do rio Alcoa foi  artificialmente construído para servir o tanque que se encontra no fundo dela e também aquela fonte lá no Lavabo.

O Refeitório é constituído por 3 naves de larguras idênticas, com as abóbadas na mesma altura formando um conjunto harmonioso. Em um dos lados uma escada leva ao Púlpito do leitor, com um corredor aberto em arcadas era onde os frades liam os textos espirituais durante as refeições. Dizem que os monges sentavam-se virados para a parede em silêncio e o Abade de costas para a parede a observá-los.

A Sala dos Monges no início era a dependência onde ficava o noviciado, isolados dos outros monges da Ordem. Depois foram transferidos para o segundo andar. Também serviu como sala de estar dos monges, e, após a construção da cozinha nova tornou-se uma espécie de dispensa. A sala possui acesso direto ao exterior.

A SALA DE LEITURA DO MOSTEIRO

A Sala do capítulo, era a principal dependência do complexo depois da Igreja. Com uma fachada  vistosa e pilares escalonados em fileiras perfeitas.  Era  o local das assembleias dos monges e onde eram feitas leituras de capítulos da regra Beneditina, ali havia espaço para 200 monges.

Na entrada há uma laje sepulcral de um abade que, segundo a lenda, por não ter a vida exemplar foi enterrado ali para ser pisado por seus irmãos. #fofoca! Os Abades deviam ser enterrados na Sala do Capítulo, e na Igreja há uma porta chamada Porta dos Mortos por onde os monges falecidos eram transportados para serem enterrados do lado de fora da Igreja.

Ao lado da Sala do Capítulo ficava o  Parlatório, local onde os monges estavam autorizados a falar com um representante do abade.

Capela Relicário – Na Nova Sacristia foi erguida em meados de 1670 uma capela de extrema beleza. Segundo o site oficial, é chamada de “O espelho do céu”. De planta octogonal, com o interior todo revestido de dourado onde seu teto aberto ilumina o ambiente e suas 89 esculturas relicário distribuídas em nichos por 6 níveis.

MOSTEIRO DE ALCOBAÇA – A PORTA PEGA-GORDO

Uma historinha interessante e não necessariamente verídica: No refeitório há uma porta alta, mas com apenas 32cm de largura. Não existe explicação oficial para sua existência, o povão conta que era o controle de peso dos monges! Diz-se que uma vez por mês os monges tinham que atravessá-la de lado e aqueles que não conseguissem eram obrigados a diminuir a ingestão de comida, dieta monástica, uma lenda “João e Maria” ao contrário. Pensei em colocar uma dessas em casa… Para ser completamente honesta existe outra versão que diz que a abertura servia para passar comida aos pobres que lá iam pedir. Será?

No final da nave central da Igreja ficam os túmulos de D. Pedro I e D. Inês, um de frente para o outro como foi determinado por D. Pedro. A história do amor impossível é a seguinte, caso você não conheça:

ROMEU E JULIETA? QUE NADA, PEDRO E INÊS!

No século XIV D. Pedro, herdeiro do trono de Portugal, se casou por imposição política com D. Constança Manuel, uma princesa castelhana, que só chegou a Portugal anos depois do casamento. Entre suas empregadas, trazia a aia Inês de Castro, uma jovem de família nobre castelhana. D. Pedro bateu os olhos e se apaixonou por ela e ela por ele e então se tornaram amantes, foi um escândalo! O rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro, tentando separar o casal exilou Inês na fronteira castelhana, mas os apaixonados continuaram a se corresponder.

Algum tempo depois, em 1345, D. Constança faleceu durante o parto de seu filho D. Fernando I, e o então viúvo Pedro ordenou a volta de Inês indo viver com ela na Quinta das Lágrimas em Coimbra, aumentando o escândalo e a fúria da corte.

Juntos, Inês e Pedro tiveram quatro filhos, e o alvoroço e descontentamento popular aumentava a crise política. O Rei tentou de tudo, incluindo um novo casamento, mas Pedro recusou. Pressionado pela corte, D. Afonso IV manda executar Inês durante uma viagem de caça de D. Pedro, para dar fim ao problema. E assim foi feito, In~es foi assassinada em Coimbra. A lenda diz que as lágrimas derramadas por ela durante a sua morte deram origem à Fonte dos Amores, localizada nos fundos da Quinta das Lágrimas.

DEPOIS DA MORTE DE DONA INÊS

Com a morte de Inês esperava-se que a história ali terminasse, mas não. D. Pedro não se conformou, e com raiva descobriu os assassinos e arrancou-lhes o coração! Cinco anos após a morte de Inês, D. Pedro já coroado Rei, queria fazer dela rainha, pois jurava ter se casado escondido.

Não satisfeito, como última homenagem ao seu grande amor, mandou que desenterrassem Inês e a vestissem com os trajes reais na coroação. Para completar sua “vendeta”, obrigou que toda a corte beijasse a mão do cadáver, aquela que tanto desprezaram em vida, agora coroada Rainha.

Aí está a origem da frase popular que cortou os séculos, pois diziam para ele: “Pedro, agora Inês é morta!”. Foi um amor trágico, uma lenda imortalizada pelo poeta Camões. Mas onde entra Alcobaça?

D. Pedro mandou construir no Mosteiro de Alcobaça dois magníficos túmulos onde os dois seriam enterrados, um de frente para outro, para que, segundo outra lenda, “possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final.” Lindo né? É a parte que mais gosto…

O roteiro e o palco dessa linda história está em Coimbra na Quinta das Lágrimas, hoje transformada em um hotel. Talvez por isso tenha perdido parte da essência misteriosa, mas ainda conserva os locais que serviram de cenário para essa história. Dizem por aí  que a alma de Inês ainda percorre os jardins a procura de Pedro… Será?

MOSTEIRO DE ALCOBAÇA – OS TÚMULOS

Voltando ao Mosteiro e aos túmulos, segundo a wiki:

O túmulo de Inês de Castro: está representada com a expressão tranquila, rodeada por anjos e coroada de rainha. A mão direita toca na ponta do colar que lhe cai do peito e a mão esquerda, enluvada, segura a outra luva.

Os temas representados no túmulo são: nos frontais, a Infância de Cristo e a Paixão de Cristo e, nos faciais, o Calvário e o Juízo Final.

Neste túmulo salienta-se um dos faciais, que representa o Juízo Final. Pensa-se que D. Pedro … quis mostrar a todos (inclusive a seu pai e aos assassinos) que ele e Inês tinham um lugar no Paraíso e que quem os fizera sofrer tanto podia ter a certeza que iria entrar pela bocarra de Levitão representada no canto inferior direito do facial. Podemos observar também a figura de Cristo entronizado, e a Virgem e os Apóstolos que à sua direita rezam… 

O túmulo de D. Pedro I está representado também com a expressão tranquila, coroado e rodeado por anjos. Segura o punho da espada na mão direita, enquanto com a esquerda agarra a bainha.

Nas faces do túmulos estão representadas: nos frontais, a Infância de S. Bartolomeu e o Martírio de S. Bartolomeu e, nos faciais, a Roda da Vida e a Roda da Fortuna e ainda a Boa Morte de D. Pedro. A Roda da Vida possui 12 edículas com os momentos da vida amorosa e trágica de D. Pedro e de D. Inês

MOSTEIRO DE ALCOBAÇA – Informações práticas

No transepto do Mosteiro de Alcobaça podem ser vistos os túmulos e a visita a eles é gratuita. Para o restante do Mosteiro o bilhete individual custa 6,00€.

Existe um bilhete Patrimônio Mundial que inclui a visita ao Mosteiro de Alcobaça, Convento de Cristo (Tomar) e Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha) – 15,00€ [válido por 7 dias].  Só vale a pena se tiver certeza que irá fazer as 3 visitas nesse período.

Outubro a Março Das 09h00 às 18h00 (última entrada 17h30)
Abril a Setembro Das 09h00 às 19h00 (última entrada 18h30)
Fecha: 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de Maio e 25 de Dezembro.
Email: mosteiro.alcobaca@igespar.pt

A bilheteria fecha 30 min antes da última entrada.

Você também pode comprar os bilhetes online, isso vale para a maioria dos monumentos portugueses, mas não esqueça de levar o bilhete em papel. É uma boa para quem gosta de evitar filas.

A entrada é 0800 aos domingos e feriados até às 14h00, oficialmente para cidadãos residentes em Portugal, mas tenho amigos que entraram gratuitamente ao domingo, mesmo sem morar na terrinha, vale a tentativa.

Aqui é o site do Patrimônio cultural de Portugal com informações sobre esse e diversos monumentos portugueses.

ONDE FICA

As distâncias aproximadas de Alcobaça para:

Lisboa – 125km  Leiria – 35km  Óbidos – 40km  Batalha – 25km  Fátima – 45km
Coimbra – 110km  Porto – 215km

Para chegar ao Mosteiro de Alcobaça, de carro: a partir de Lisboa ou Leiria – A8 até a indicação de saída para Alcobaça/Nazaré/Valado dos Frades, depois pela Estrada N8-5 em direção a Alcobaça.

Para quem chega do Norte, pela A1, saída Leiria/Alcobaça.

Dica: Para quem gosta de doces conventuais, passe na Pastelaria Alcôa, especializada nos doces a base de gemas (as claras eram usadas para engomar toalhas e hábitos dos conventos). É bem na praça do Mosteiro: Praça 25 Abril nº 44. Os quitutes não são de Deus não!! Um pecado de tão gostosos. Mas não tente passar depois por aquela portinha de 32cm do Refeitório do Mosteiro, vá depois da visita. A casa abriu uma filial no Chiado, deixando os Lisboetas um pouco mais doces, e mais redondinhos.

CLIMA:

Alcobaça tem um clima temperado, a média anual é de 15.7 °C, o mês mais frio é janeiro com média de 11.1 °C e o mais quente agosto com média de 20.6 °C. Consulte abaixo na tabela as médias históricas e os índices pluviométricos. Se tiver alguma dúvida mande um Oi ou deixe seu comentário.

Algumas fotos são minhas, outras do site oficial do mosteiro. Na descrição estão os créditos.

2 Responses

    • admin

      Obrigada!! Fique à vontade e desculpe a demora na resposta, estive viajando e me reorganizando, em breve mais conteúdo!
      Abraço Grande

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